Resident Evil 2 Remake: É uma obra-prima?

 

 

 

O remake de Resident Evil 2 (2019) é aclamado por muitos como uma obra-prima — mas será que esse título  é realmente uma obra-prima? A resposta, sem rodeios: não. Apesar do acabamento gráfico e da modernização da jogabilidade, o título é superficial, incoerente e falho como reimaginação narrativa. Não só deixa buracos abertos, como desperdiça oportunidades únicas de enriquecer o universo da franquia, preparar o terreno para a próxima sequencia (RE3R) e acabar com confusões de "cânone" e deixar algo definitivo - como Resident Evil: Remake (2002) fez. 

 

💀 Superficialidade Canônica

O jogo não tapa buracos do enredo nem traz novidades relevantes. A ordem cronológica com RE3 continua confusa. 

 

 Ada Wong e sua participação rasa



A participação da Ada Wong no remake é curta, superficial e sem peso real na trama. O jogo desperdiça a oportunidade de explorar o verdadeiro objetivo da personagem, sua ligação com a organização para a qual trabalha, e até mesmo momentos-chave do seu passado, como a relação com John, o cientista da Umbrella.

A personalidade da Ada no remake é fria, oportunista e calculista. Ela não ajuda Leon em nada de forma genuína — pelo contrário, usa o novato como um acessório, manipulando-o emocionalmente para facilitar sua missão. O suposto "romance" que se desenrola entre eles soa forçado e vazio, servindo apenas como uma estratégia dela para pescar o bobalhão novato e, mais uma vez, usá-lo como peça descartável

No remake perde completamente a chance de enriquecer a personagem, humanizá-la ou ao menos revelar mais sobre suas verdadeiras intenções — algo que poderia ter sido feito com flashbacks ou uma DLC própria.


  • 🧩 Delegacia de Polícia (R.P.D.) sem coerência

    A R.P.D. no remake é uma caricatura. Um "museu com puzzles forçados", que em nada lembra uma delegacia funcional.
    Já o protótipo 1.5 mesmo sendo um game "inacabado" entregava algo mais crível, sombrio e pé no chão: 


    • Ambientes reais: sala médica, sala de armas, setor de treino de tiro, garagem funcional, recepção plausível, setor de carceragem, sala de comunicações ampla e que remete a realidade. 


    • O heliponto e a área externa da R.P.D. são bem pensados e separados no 1.5. 


    • Já no remake, temos puzzles ilógicos (ex: caixa com soma de números para abrir armário de equipamento policial?!) e um layout caótico, com cenários sem lógica e narrativa.


    💣 Os “Pontos Principais” que fazem o Remake falhar miseravelmente:


    1. Marvin Branagh

    O tenente Marvin tem um papel raso e mal escrito. Seu diálogo é fraco e sem emoção:

    • Nenhuma menção aos amigos mortos, tentativas de fuga, planos de sobrevivência ou outros sobreviventes.

    • Sem flashbacks, sem peso emocional. Só um NPC que aparece e some.


    2. Kendo’s Gun Shop

    A cena clássica da loja de armas foi reduzida a um momento esquecível.

    • No original, Kendo confronta Leon. Aqui, ele apenas aceita passivamente o destino.

    • Ele não menciona sobreviventes, não alerta os protagonistas — tudo parece jogado.

    • O que aconteceu com ele e a filha? Nada é mostrado, explicado ou sequer insinuado.


    3. Cenários A e B irrelevantes

    • Nada de áreas inéditas.

    • Nenhum boss ou inimigo exclusivo.

    • Nenhuma diferença real no desfecho ou nas cutscenes.

    • Não fecha nenhum furo do cenário A. Puro filler disfarçado de rejogabilidade.


    4. Ausência de DLCs narrativas 

    A Capcom ignorou completamente o potencial de DLCs que tapassem buracos ou aprofundassem a história

    • DLC da Ada: mostrar como, ela conseguiu sobreviver a queda no laboratório, a sua fuga dela pelos esgotos e pela cidade (como, é feito no Umbrella Chronicles, só que de forma canônica ) 




    • DLC do Marvin: mostrando o início do caos, sobreviventes como Rita, ligação com Outbreak File 2

       




    • DLC do Kendo: mostrando o drama com sua filha e um fim digno.

       


    Nada disso foi feito. Jogadores que esperaram por conteúdo extra foram ignorados. e "presenteados" com DLC´S  de desbloqueio de armas e "trapaças" 


    5. Coadjuvantes e vilões desperdiçados

    • Irons poderia seguir o padrão do 1.5, sendo apenas um delegado ferido e morrendo com dignidade. No remake, virou um vilão caricato, maníaco e exagerado.

    • Ben Bertolucci, o repórter, não acrescenta nada. Sem conexão com nada e poderia mencionar Alyssa (Outbreak), sem contribuições para a trama.

    • William e Annette Birkin: sem profundidade. Diálogos rasos e sem impacto. Cadê os flashbacks com Wesker e James Marcus?

    • Sherry: sua parte no orfanato é fraca. Ela poderia ter papel ativo como no original, onde ajuda com itens.

    • O orfanato é um bom conceito — mas mal aproveitado e jogado.

    • Mr. X: surge do nada, sem explicação, sem cutscene. Persegue o jogador de forma artificial, quebrando o ritmo do jogo.

    • Bosses sem impacto: lutas genéricas, fáceis. alguns, podem ser derrotado com granada (!).

    • Zumbis genéricos: falta variedade. No 1.5, mesmo sendo um prototipo  havia zumbis com roupas condizentes com o local — policiais da SWAT, detetives, etc.

    • Faltam inimigos inéditos. por ex: poderia ter trazido elementos do protótipo(1.5): gorilas mutantes, Gremlins, Spider Zombie.

    •  Coletes contra danos. Por ex: poderiam ter reaproveitado o sistema de itens e defesa do protótipo: um colete que desgastaria com danos, que o personagem leva. Mas, a dificuldade do jogo seria alta (assim como já no RE2R). 



      🚨 Considerações Finais

      Resident Evil 2 Remake é uma reimaginação bonita por fora, mas vazia por dentro.

      O Resident Evil 2 (1998) continua no topo do meu Top 5. A Capcom teve literalmente "a faca e o queijo na mão" para superar o clássico e ir além — assim como fizeram com maestria em Resident Evil Remake (2002)


      Se a ideia original era grande demais para tão pouca criatividade, por que não reaproveitaram o projeto abandonado de 1997, o famoso Resident Evil 1.5? Bastava eliminar os pontos fracos (como a Ada Wong doutora, Elza Walker), e só manteria kendo e Marvin, tendo um papel importante no enredo, e na gameplay, e os cenários; um deles: um escritório da Umbrella Corporation, usado como fachada. e o jogo teria base sólida para ser algo realmente memorável.

      Portanto, dizer que esse remake não é uma obra-prima não é exagero. Tampouco é "rebaixar" o que é esteticamente bonito… mas sim criticar algo que é vazio. Um jogo que, com o passar dos anos, não será lembrado com o mesmo peso e carinho que o original de 1998 ainda é — e continuará sendo pra sempre. 

☣️ VEREDITO FINAL

"Um remake Visualmente impecável, mas, não supera o original."

⭐⭐⭐⭐


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